sábado, 23 de novembro de 2013
Transfusão
Para efeito de transfusão, é considerado que pacientes Rh positivos podem tomar sangue Rh positivo ou negativo, e que pacientes Rh negativos devem tomar sangue Rh negativo.
Para os pacientes D fraco, existem alguns critérios a serem observados. Se o antígeno D está enfraquecido por interação gênica, estando o mesmo presente integralmente, o paciente poderá tomar Rh positivo ou negativo. Porém nos casos em que o antigeno D está enfraquecido por ausência de um dos componentes, pode ocorrer produção de anticorpos contra o antigeno D na sua forma completa. Como rotineiramente, não identificamos a causa que leva a expressão enfraquecida do antígeno, acostuma-se a dar preferência a usar sangue Rh negativo para os pacientes Rh fraco. (1)
Existem situações clínicas onde é necessário avaliar o risco X benefício, e fazer outras opções. Neste momento é necessário o acompanhamento do hemoterapeuta.
Sistema Rh
Quando referimos que o indivíduo é Rh Positivo, quer dizer que o antígeno D está presente. O antígeno D foi o primeiro a ser descoberto nesse sistema, e inicialmente foi considerado como único. Além deste, foram identificados quatro outros antígenos C, E, c, e, pertencentes a este sistema. Após os antígenos A e B (do sistema ABO), o antígeno D é o mais importante na prática transfusional.
Em algumas situações podemos ter uma expressão fraca do antígeno D . Isso pode ocorrer por:
· Variações quantitativas que são transmitidas genéticamente
· Efeito de posição, sendo o mais conhecido o enfraquecimento do antígeno D quando o gen C está na posição trans em relação ao D
· Expressão parcial por ausência de um dos múltiplos componentes do antígeno D
Estes casos são chamados na prática de Rh fraco, e se refere ao que era conhecido anteriormente como Du.
Ao contrário do que ocorre com os antígenos A e B, as pessoas cujos eritrócitos carecem do antígeno D, não tem regularmente o anticorpo correspondente. A produção de anti-D quase sempre é posterior a exposição por transfusão ou gravidez a eritrócitos que possuem o antígeno D. Uma alta proporção de pessoas D-negativas que recebem sangue D-positivo produzem anti-D.
Se encontramos um anticorpo deste sistema podemos concluir que ocorreu uma imunização através de uma transfusão ou de uma gravidez. Qualquer antígeno deste sistema é capaz de provocar a produção de anticorpos, e assim a gerar situações de incompatibilidade.
Aloimunizações contra antígenos E, c, e, C são também observadas em pacientes politransfundidos, mas com uma freqüência inferior.
A maioria dos casos de Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN) é devida ao anti-D. A profilaxia por imunoglobulinas anti-D diminuiu o número de aloimunizações maternas contra o antígeno D, mas não contra E, c, e, C
Na rotina, é realizada a tipagem, apenas, para o antígeno D nesse sistema. Os outros antígenos (E, C, c, e), são determinados em situações onde ocorre incompatibilidade, e é necessário obter sangue que não possuam algum desses antígenos.
A produção de anticorpos contra estes antígenos ocorre de forma semelhante a produção de anti-D. A capacidade de provocar a produção de anticorpos destes antígenos varia. Partindo do mais imunogênico, temos D > c > E > C > e.
A classificação sanguínea
A determinação do grupo sanguíneo deste sistema, é feito usando dois tipos de teste.
1o – Através da identificação da presença de antígenos nos eritrócitos, usando reativos compostos de anticorpos conhecidos (anti-A, anti-B, anti-AB). Esta é a chamada classificação ou tipagem direta .
2o – Através da identificação da presença de anticorpos no soro/plasma usando reativos compostos de antígenos conhecidos (hemácias A e hemácias B). Esta é a classificação ou tipagem reversa
Regularmente as pessoas expostas a um antígeno que não possuem, podem responder com a produção de um anticorpo específico para este antígeno. Entretanto, há alguns antígenos que possuem uma estrutura que se parece muito com antígenos de bactérias e planta, aos quais estamos constantemente expostos. Nestes casos, ocorre a produção de anticorpos a partir do contato com as bactérias e plantas, e não ao antígeno eritrocitário.
Neste grupo encontramos os antígenos do sistema ABO. Por este processo, os indivíduos com idade superior a seis meses, possuem o anticorpo contra o antígeno que não tem, pois já foram expostos a essas bactérias e plantas, através da alimentação. Estes anticorpos são chamados de isoaglutininas ou aglutininas naturais.
Observando o quadro acima podemos perceber a presença dos antígenos e anticorpos em cada grupo sanguíneo. É nesta presença ou ausência de antígenos e anticorpos que se baseia a tipagem sanguínea e a escolha do sangue a ser transfundido.
As transfusões podem ser:
· Isogrupo – quando doador e receptor são do mesmo grupo ABO
· Heterogrupo – doador e receptor são de grupo sanguíneo diferente
A escolha do sangue se baseia em que o indivíduo não pode ser transfundido com um sangue que possua um antígeno que ele não tem, pois o anticorpo presente no seu plasma, contra esse antígeno, iria reagir com essas hemácias transfundidas. Em vista disso e observando o quadro acima, fica claro que um indivíduo do grupo A não pode tomar sangue B e assim por diante.
Sempre que possível deve se transfundir sangue isogrupo, pois se por exemplo, transfundimos um sangue do grupo O a um paciente do grupo A, junto com as hemácias transfundidas temos uma quantidade de plasma onde há anticorpo anti-A, que poderá reagir com as hemácias deste paciente causando um grau de hemólise maior ou menor, mas que poderá ter um significado a depender do quadro clinico do paciente. Cada caso deve ser analisado pelo hemoterapeuta .
Este sistema ABO, também pode ocasionar incompatibilidade materno-fetal, com desenvolvimento da doença hemolítica peri-natal. Apresenta também importância em transplantes renais ou cardíaco, com menor papel nos hepáticos ou de medula óssea. Em alguns processos pode ocorrer a perda parcial do antígeno A ou B, como em algumas leucemias.
Os grupos sanguíneos
Foi no século XX que a transfusão de sangue, adquiriu bases mais científicas. Em 1900 foram descritos os grupos sanguíneos A, B e O por Landsteiner e em 1902 o grupo AB por De Costello e Starli. A descrição do sistema Rh foi posterior (1940), por Landsteiner e Wiener.
Os grupos sanguíneos são constituídos por antígenos que são a expressão de genes herdados da geração anterior. Quando um antígeno está presente, isto significa que o indivíduo herdou o gene de um ou de ambos os pais, e que este gene poderá ser transmitido para a próxima geração. O gene é uma unidade fundamental da hereditariedade, tanto física quanto funcionalmente.
Há vários grupos sanguíneos herdados independentemente entre si.
São conhecidos diversos sistemas de grupo sanguíneos.
Entre eles podemos citar os sistemas ABO, Rh, MNS, Kell, Lewis, etc. O sistema ABO é o de maior importância na prática transfusional por ser o mais antigênico, ou seja, por ter maior capacidade de provocar a produção de anticorpos, seguido pelo sistema Rh.
Os antígenos deste sistema estão presentes na maioria dos tecidos do organismo . Fazem parte deste sistema três genes A, B e O podendo qualquer um dos três ocupar o loco ABO em cada elemento do par de cromossomos responsáveis por este sistema.
Os genes ABO não codificam diretamente seus antígenos específicos, mas enzimas que tem a função de transportar açúcares específicos, para uma substância precursora produzindo os antígenos ABO.
O indivíduo do grupo AB é possuidor de um gene A e de um gene B, tendo sido um herdado da mãe e o outro do pai. Ele possui nos seus glóbulos vermelhos os antígenos A e B, seu genótipo é AB.
No caso do grupo O, foi herdado do pai e da mãe o mesmo gene O. O gene O é amorfo, isto é, não produz antígeno perceptível. As células de grupo O são reconhecidas pela ausência de antígeno A ou B. Quando o gene O é herdado ao lado de A, apenas o gene A se manifesta; e se é herdado ao lado do gene B apenas o gene B se manifesta.
Ao realizarmos os testes rotineiros em laboratório, não podemos diferenciar os indivíduos BO e BB, e nem AO e AA. Os símbolos A e B, quando nos referimos a grupos, indicam fenótipos, enquanto que AA, BO etc. são genótipos
É dito homozigótico quando o indivíduo é possuidor de genes iguais (AA, BB, OO), e heterozigótico quando os genes são diferentes (AO, BO, AB).
domingo, 13 de outubro de 2013
Beijar na boca é muito mais importante do que você imagina
O beijo na boca é observado em mais de 90% das culturas humanas. Várias teorias têm sido propostas para explicar este comportamento, mas nenhuma delas oferecem uma explicação completamente aceitável do ponto de vista evolutivo. Encostar a boca na boca é um comportamento comum em muitos animais e tem diferentes funções. Muitos peixes, por exemplo, durante uma agressão encostam as bocas para avaliar as habilidades físicas e potenciais do adversário. Dentre os primatas, os macacos bonobos, possuem também o contato labial, mas geralmente são apenas “selinhos” muito diferentes do beijo do ser humano que é um ato sexual com contato da língua e troca de saliva. Este beijo sexual é comportamento exclusivo do ser humano.
Nos seres humanos o beijo é uma forma de se sentir mais próximo do parceiro e avaliar se ele é um reprodutor em potencial, um recurso essencial antes de desencadear um ato sexual. Mas um estudo recente mostrou que tal comportamento pode ser explicado melhor ao ponto de vista evolutivo. O beijo na boca reconstrói nosso sistema imunológico, expondo cada um às doenças do outro. Os cientistas afirmam que este comportamento é particularmente importante quando se trata do Citomegalovírus Humano (HCMV), um tipo de vírus do herpes que possui severas propriedades teratogênicas quando está em fase ativa, ou seja, pode causar alteração na estrutura ou função dos descendentes. Assim, sua infecção pode apresentar sérios riscos para os filhos que o casal possa gerar.
O Citomegalovírus Humano é facilmente trocado durante o beijo. É importante para as fêmeas entrar em contato com o vírus o mais cedo possível para que crie anticorpos e sejam capazes de proteger seus filhos contra a ameaça de uma infecção recente que podem efetivamente deixar sequelas. Assim, beijar o parceiro antes de engravidar é uma grande vantagem para o futuro bebê. Uma vez que, o padrão de acasalamento humano consiste de um período de interesse antes de se envolver em uma atividade sexual plena. É o período em que a fêmea avalia a saúde do parceiro e se necessário se exponha às doses necessárias de HCMV para que seu sistema imunológico desenvolva anticorpos. Portanto, nada de “ir para a cama” no primeiro encontro!
domingo, 15 de setembro de 2013
Por que os pombos e galinhas andam balançando a cabeça?
não somente galinhas e pombos balançam a cabeça enquanto andam. Este é um comportamento característico apenas das aves que andam regularmente no chão. Aquelas aves que voam com frequência, como aves marinhas, andorinhas e beija-flores não tem este balanço quando precisam se locomover pelo chão. Ao contrário das “aves de chão”, essas aves se locomovem em pequenos saltos.
Alguns pesquisadores acreditam que os movimentos para frente e para trás da cabeça são sincronizados com os movimentos das pernas. Quando ambos os pés se encontram em contato com o solo, o centro de gravidade da ave é na sua parte caudal, ou seja, mais para trás do que para frente. Quando um dos pés se locomove para frente, inicia-se uma oscilação no centro de gravidade. Nesta etapa da locomoção, é necessário um impulso. A cabeça vai para frente, o que resulta na mudança do centro de gravidade de trás para frente e quando a cabeça volta, o centro de gravidade retorna para trás. Isto sugere que a função do movimento da cabeça é deslocar o centro de gravidade dando o impulso necessário para a caminhada, sem que a ave se desequilibre para frente ou para trás durante o processo. Para estes especialistas, o movimento da cabeça das aves de solo pode ser comparado aos movimentos dos braços nos seres humanos, ou seja, é ele que dá estabilidade e equilíbrio.
Mas, outros cientistas acreditam que o movimento para frente realmente é um impulso, mas o movimento para trás é apenas uma ilusão. Isso mesmo! Na verdade, essa teoria defende que a cabeça das galinhas, pombos e outros vão para frente a fim de impulsionar a caminhada, neste momento o corpo todo está para trás. Quando a cabeça parece ter ido para trás, na verdade é o corpo que veio para frente dando a impressão de que a cabeça foi para trás. Mas não foi! O mais curioso é que para fazer este estudo, colocaram uma pobre galinha para andar em uma esteira por horas até chegarem a esta conclusão.
Lagarta esperta imita cocô de passarinho para não ser devorada!
Não tá fácil para ninguém! Para estar segura durante parte da sua fase larval a lagarta de borboleta da espécie Papilio xuthus se passa por cocô de passarinho. Não é piada não! Em uma espetacular estratégia de sobrevivência esta lagarta mimetiza fezes com tanta perfeição que até mesmo para os humanos fica difícil distingui-la de um cocô. É difícil imaginar um disfarce mais eficiente que esse para evitar virar comida de pássaro.
Do primeiro ao quarto instar larval o corpo da Papilio xuthus exibe uma coloração preta intercalado com branco, além disso, o corpo parece irregular e com grumos, tal como um cocô de passarinho espatifado. Ela não faz nenhuma questão de se esconder durante estas fases, só quando muda para o quinto instar é que assume uma cor verde muito parecida com o tom encontrado nas folhas da sua planta hospedeira, nesta fase, ou invés de mimetismo, elas utilizam uma estratégia críptica, ou seja, de camuflagem… Aí sim, fica difícil encontrá-la.
Para controlar sua aparência de cocô elas usam o “hormônio juvenil”. Enquanto está nos primeiros instares, o hormônio juvenil age em seu organismo, proporcionando o disfarce perfeito. Quando tal hormônio para de atuar, ela sofre uma muda de pele (ecdise) e aí assume sua forma críptica. Em experimentos realizados por biólogos japoneses, eles trataram as larvas nos primeiros instares com o hormônio juvenil e mesmo quando ela deveria trocar de aparência elas se mantiveram parecidas com titica de passarinho ou invés de se tornarem verdes. Ou seja, na presença do hormônio ficam parecidas com cocô, sem ele, elas se tornam verdes.
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